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Clube Carioca da Cachaça (Parte 2)

Por Cachaciê   •  14 março de 2019   •  Compartilhar

 

Quem está por trás do Clube Carioca da Cachaça?

 

Há dois dias da festa de aniversário de três anos do Clube Carioca da Cachaça, conversamos com seu criador: Manoel Agostinho Lima Novo. Natural de Petrópolis – cidade que fica na Serra Fluminense, e há 70 km do Rio de Janeiro.

 

Agostinho vive há 50 anos na cidade maravilhosa e apressou-se em explicar que não é o único criador do Clube. A iniciativa de reunir os apreciadores de cachaça partiu de uma ideia desenvolvida por ele e André Gomes Carneiro, um ex-aluno, que aprendeu sobre cachaça em um de seus cursos.

 

Confira abaixo a entrevista que fizemos com este apreciador apaixonado, este admirador da bebida que é sinônimo de Brasil.

 

(Cachaciê) Qual a sua formação profissional?

 

(Manoel Agostinho) Meu currículo é vasto, militar da reserva, engenheiro civil e administrador de empresas,  e pelas andanças da vida, fui professor universitário, empresário, etc.

 

(Cachaciê) Conte-nos sobre como você “Descobriu a Cachaça”?

 

(Manoel Agostinho) Num certo encontro de amigos onde um sommelier de vinhos explicava aos presentes como se degustava vinhos, enquanto eu e uma amiga, degustávamos cachaça (sem qualidade mesmo). No ato fui desafiado pela amiga a ser um sommelier de cachaças e dai com muita determinação comprei livros, visitei alambiques, fiz cursos no Brasil e fora do Brasil, me juntei aos bons da cachaça, fui aprendendo. Passei a ser um eterno aluno da cachaça. Dai escrever um livro, ministrar cursos, fazer palestras, co-fundar a Cupula da Cachaça, etc fez parte da trajetória.

 

(Cachaciê) Desde quando é uma apreciadora de cachaça?

 

(Manoel Agostinho) Aprecio cachaça desde os 14 anos (há 53 anos), mas  apreciar cachaça de qualidade, ou seja, saber o que presta e o que não presta tem cerca de 10 anos.

 

(Cachaciê) Prefere as brancas ou amadeiradas?

 

(Manoel Agostinho) Comecei só admirando as envelhecidas em carvalho (era um apreciador de uísque), mas com o tempo diversifiquei as madeiras, conheci brancas maravilhosas e hoje prefiro cachaça, somente. Há uma cachaça para cada momento e um momento para cada cachaça.

 

(Cachaciê) Pura ou no coquetel?

 

(Manoel Agostinho) Sempre pura, shot, raramente em forma de caipirinha.

 

(Cachaciê) Gelada ou em temperatura ambiente?

 

(Manoel Agostinho) Apesar da minha máxima de que se a cachaça é sua beba-a do jeito que lhe for mais apreciável, eu prefiro na temperatura ambiente, isto provoca uma gama de sensações organolépticas, que podem ser mascaradas se a cachaça estiver gelada.

 

(Cachaciê) Qual sua harmonização preferida?

 

(Manoel Agostinho) Eu prefiro harmonizar cachaça pelo método do contraste, ou seja, para um prato ou uma fruta mais aromática cachaça sem “aroma” (pura sem madeira), já para os pratos e frutas sem muito aromas (condimentos), mais neutras uso cachaça amadeirada.

 

(Cachaciê) Taça Iso ou Copinho Shot (qual material)?

 

(Manoel Agostinho) Eu não degusto copo e sim o conteúdo, risos. As taças, em principal a ISO são mais apropriadas, pois o seu formato permite uma evaporação do álcool e dos acetoaldeidos permitindo a permanência dos esteres no seu bojo, tornando a cachaça mais palatável.

 

(Cachaciê) Tem o costume de dar cachaça de presente?

 

(Manoel Agostinho) Sempre.

 

 

(Cachaciê) Você faz parte de mais alguma Confraria ou Grupo de Apreciadores, além do Clube Carioca da Cachaça?

 

(Manoel Agostinho) Atualmente sou Presidente da Cúpula da Cachaça.

 

(Cachaciê) Quantos rótulos de cachaça você tem em casa?

 

(Manoel Agostinho) Já tive mais, porem hoje sendo um pouco mais seletivo, devo ter uns trinta rótulos.

 

(Cachaciê) Você valoriza a “cara” (embalagem), ou só se importa com o “coração” (líquido)?

 

(Manoel Agostinho) A embalagem vende o produto, valorizo a “cara” do produto também.

 

(Cachaciê) Para você a sofisticação e inovação na embalagem (garrafa, rótulo, caixa) interferem na escolha dos clientes?

 

(Manoel Agostinho) Sim, sempre, principalmente dos leigos.

 

(Cachaciê) Você leva em consideração as medalhas e destaques conquistados pelas cachaças, na hora de fazer uma comprar?

 

(Manoel Agostinho) Sim, mas considero que tem medalhas vindo de concursos que nada agrega à cachaça, para mim, ou seja, tem concursos sérios e concursos duvidosos neste País, quando vejo os selos de uma cachaça seleciono e valorizo somente os sérios. Mas confesso que para o leigo selo é selo, logo para um mercado ainda embrionário como o da cachaça, tem sua importância, independente da origem.

 

(Cachaciê) Em sua opinião qual o caminho para eliminar a discriminação que algumas pessoas ainda têm em relação à cachaça?

 

(Manoel Agostinho) Trabalho de formiguinha, já ouviu alguém falar isto em relação à cachaça? Pois nossa função é ensinar ao leigo como se bebe cachaça e combater os vícios que ainda existem principalmente na mídia jornalística (jornal, tv e rádio), em que atribui a culpa de tudo que é ruim de bebidas alcoólicas em geral à cachaça; como se vodka, conhaque, cerveja, etc, não embriagasse.

 

(Cachaciê) Cite uma experiência positiva e inesquecível que você teve com a cachaça? Alguma curiosidade.

 

(Manoel Agostinho) Sim, numa ocasião recebi uma arquiteta na minha casa para evoluir um projeto e fui por ela questionado sobre a quantidade de garrafas que existia em meu apartamento. A ofereci e percebi uma horrível careta por parte dela. Insisti, mostrei o que era uma cachaça de qualidade, resultado hoje faz parte do Clube Carioca da Cachaça. Experiências deste tipo se somam a cada encontro que faço com amigos.

 

(Cachaciê) “Cachaça” em uma palavra?

 

(Manoel Agostinho) Brasil

 

(Cachaciê) O que você diria para uma pessoa que quer conhecer mais sobre a nossa bebida nacional e passar a degustá-la?

 

(Manoel Agostinho) Se permitir apreciar sem preconceito, valorizando quanto suor de escravos tem por tras de uma história e de uma cultura na produção da cachaça. Conhecendo-a.

Sempre digo, engula o liquido e aprecie a história, que tem por trás deste líquido.

 

Para saber mais sobre o Clube Carioca da Cachaça. Leia o Capítulo 1 desta entrevista: http://cachacie.com.br/clube-carioca-da-cachaca-parte-1/