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Entrevista com Skarllety Elias Passos: Uma cachaceira por convicção

Por Cachaciê   •  13 outubro de 2017   •  Compartilhar

 

Cachaceira Por Convicção

 

Skarllety Elias Passos, é uma Goiana, de 22 anos, natural de Formosa, que representa bem a nova geração que aprecia cachaça. Ela não só assume com orgulho sua condição de @acachaceira (no melhor e mais correto sentido da palavra), como já se coloca a serviço da cachaça, atuando em eventos e no recém-inaugurado Bendito Empório, na cidade de Goiânia.

 

Confira esta entrevista que fizemos com a Skarllety – um frescor:

 

[Cachaciê] Qual a sua formação profissional?

[Skarllety] Sou Graduanda em Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal de Goiás.

 

[Cachaciê] Conte-nos um pouco da sua tragetória pessoal e profissional?

 

[Skarllety] Nasci e fui criada no interior de Goiás, na cidade de Formosa. Aos 16 anos, mudei para Goiania, e comecei a cursar Física na Universidade Federal de Goiás (UFG). Com 18 anos virei professora de nivel médio, fui bolsista de PIBID, trabalhando com Alfabetização Cientifico-Tecnologica, nesse meio tempo aprendi a tocar e virei DJ.

Não satisfeita com as condições impostas a mim como professa, resolvi dar uma reviravolta na vida e mudei de curso para Engenharia de Alimentos, também na UFG. Me envolvi em um projeto de pesquisa, olimpiada de empreendedorismo. Foi onde me apaixonei definitivamente pela cachaça.

Hoje, faço parte da equipe do Projeto de Extensão Cervejamos, no qual trabalho com o estudo da produçao, degustação e mercado da cerveja artesanal.

 

[Cachaciê] Como você “Descobriu a Cachaça”?

 

[Skarllety] Há algum tempo atrás, percebi que o número de jovens que bebem destilados estava crescendo, e com isso houve o aumento significativo do consumo de tequila, vodca, uísque e outros.

Como boa interiorana que se mudou para a capital, notei que quase nunca (hábito de muitos brasileiros) damos valor ao que é nosso.

Sempre tive a visão da valorização do pequeno empreendedor, da regionalização e da nacionalização do produto. Pensei comigo mesma, por que não bebemos o que é nosso?  

Como citei acima, no segundo semestre de 2014 mudei de curso e conheci o Quintal da Cachaça (clube de assinatura de cachaça) e o Projeto Cachaça Brazil, os quais foram cruciais para a escolha da minha profissão, gerando assim um interesse maior da minha parte em pesquisas, estudos da legislação e da produção.  

 

[Cachaciê] Desde quando é uma apreciadora de cachaça?

 

[Skarllety] Em meados de 2013 comecei a consumir cachaça para fugir do famoso “Arriba, Abajo, Al Centro y Adentro”. Comecei a gostar tanto que virei apreciadora “nata” e fui descobrindo novas madeiras, novas graduações alcoólicas, novas texturas e os blends.

 

[Cachaciê] Com quem aprendeu a beber cachaça?

 

[Skarllety] É engraçado falar disso, geralmente se passa de pai para filho, lá em casa foi diferente. Meu pai sempre foi adepto ao uísque, minha mãe quase não bebe. Aprendi mesmo a beber cachaça sozinha.

 

[Cachaciê] Qual seu tipo preferido de cachaça?

[Skarllety] Não existe um tipo preferido, parafraseando o que meu orientador sempre fala em relação à bebida:

_ “Sabe qual é a melhor cachaça?

_ Não sei! Porque a de ontem já se foi.

A de amanhã? Eu ainda não sei.

_ A melhor cachaça é essa aqui, que ta aqui no meu copo!” (rs)

 

Seria um absurdo a gente falar de preferências em meio a uma atmosfera etílica tão rica.

 

[Cachaciê] Há alguma marca que deseja experimentar?

[Skarllety] Sim, várias… Inclusive a lista é enorme! Porém a que todo e bom apreciador quer experimentar é a famosa Havana, do grande Anísio Santiago.

 

[Cachaciê] Você tem preferência por cachaças de alguma região do Brasil?

[Skarllety] Se eu falar de uma região em especial os produtores poderão ficar inciumados, porém tenho grande apreço pelas sulistas, acho que foi porque conheci o Ivandro Remus – o primeiro produtor de cachaça que conheci pessoalmente. O lema citado acima para a melhor cachaça também é válido para essa pergunta.

 

 

[Cachaciê] Gosta de consumir cachaça gelada?

[Skarllety] Sim!

 

[Cachaciê] Você gosta de beber cachaça sozinha ou acompanhada?

[Skarllety] Os dois, como tenho o @acachaceira, geralmente quando chega uma novidade, tenho que experimentar sozinha e em festividades também tomo acompanhada, afinal cachaça também é sinônimo de comemoração!

 

[Cachaciê] Você prefere a cachaça pura (a dose) ou no drinks?

[Skarllety] Sacanagem essa pergunta, hein? Tendo cachaça é o que importa!

 

[Cachaciê] Você tem uma seleção de cachaça em casa?

[Skarllety] Tenho sim, sempre busco guardar os rótulos (é claro!), porque cachaça boa é aquela que a garrafa está vazia!

 

[Cachaciê] Alguém mais da sua família é apreciadorde cachaça?

[Skarllety] Meu pai!

 

[Cachaciê] Nos conte como surgiu a ideia da @cachaceira?

Qual o propósito desta iniciativa?

[Skarllety] Sempre quis trabalhar com cachaça, inclusive sempre alinhei todos os trabalhos da graduação com esse tema. O Rodrygo Jacino, um amigo, me chamou para trabalhar com ele na Olimpiada do Emprendedorismo (OEU), com uma bebida mista alcoólica, submetemos nosso trabalho e ficamos entre os cinco melhores.

Com todo trabalho desenvolvido, pitch, canvas, plano de négocio, desenvolvimento de persona, entre outros. Surgiu a ideia de direcionar o trabalho para o consumo de cachaça para um público alvo que, na maioria das vezes, é deixado de lado pelos produtores.

@acachaceira foi originada de um propósito simples: alfabetização etílica nacional. Onde a cachaça é o principal foco. Pode-se até falar de uma alfabetização proveniente de um propósito de ensinar o jovem a beber com moderação, vizando a valorização do destilado, com a inteção de transformar essa faixa etária em um potencial consumidor e disseminador da cultura cachaceira.

 

[Cachaciê] Você compra ou já comprou cachaça sem registro, as não legalizadas?

[Skarllety] Já comprei, inclusive quando comecei a tomar cachaça. Hoje em dia não mais, e sou totalmente a favor da campanha “Cachaça ilegal, não compre! Responsábilidade Social”.

 

[Cachaciê] Você gosta de pratos da culinária que usa a cachaça como ingrediente?

 

[Skarllety]

Sim, em Goiânia tem um bar que serve um torresmo com geléia de cachaça, que é dos deuses!

 

[Cachaciê] Você costuma presentear amigos com cachaça?

[Skarllety] SIM! HAHAHA. Além de presentear, adoro ganhar! O Matheus que o diga!

 

[Cachaciê] Já fez algum curso de cachaça?

[Skarllety] Já sim, alguns de produção de cachaça e envelhecimento.

 

[Cachaciê] Tem ou teve alguém que te ensina sobre cachaça?

[Skarllety] Sou discipula do grande João Almeida! Aprendo muito com conversas diárias, nos grupos de whatsapp (Apreciadores de Cachaças, Academia Brasileira de Cachaça de Alambique, AGOPCAL, Confraria Mulheres da Cachaça – Convida, entre outros), onde existem os melhores profissionais da cena.

 

[Cachaciê] Na turma, quando o assunto é cachaça, você é aluna ou professora?

[Skarllety] Não é me gabando não, porém meus amigos falam que eu dou aula! HAHAH! Brincadeiras a parte, sempre há um aprendizado enorme com trocas de experiências.

 

[Cachaciê] Onde e como busca ampliar seus conhecientos sobre cachaça?

[Skarllety] Artigos, livros, feiras, cursos, onde tem cachaça procuro estar envolvida.

Vou aproveitar a oportunidade para parabenizar o trabalho do Leandro Marelli e do Maurício Maia (sou fã de vocês!). Se algum dia eu me tornar pelo menos um terço deles, serei eternamente feliz.

 

[Cachaciê] Quando você declara ser uma apreciadora de cachaça, qual a reação e comentários das pessoas?

[Skarllety] Antigamente era de espanto, mas acho que as pessoas já se acostumaram, geralmente quando conheço alguma pessoa nova, amigo em comum de algum conhecido, sempre soltam a expressão: “você é a moça da cachaça, me conta mais sobre seu trabalho!”, e isso é extremamente gratificante!

 

[Cachaciê] O design da garrafa e rótulo impacta na sua escolha na hora de comprara uma cachaça?

[Skarllety] Muito, hoje em dia o desing é ponto principal para a venda de um produto, é claro que temos que valorizar o produto que temos, e tentar desassociar cachaça com aquela imagem rústica e arcaica.

 

[Cachaciê] Você costuma levar em consideração as medalhas e destaques conquistados pelas cachaças na hora da compra?

[Skarllety] Sim, e acho de extrema importância o produtor participar dos prêmios.

 

[Cachaciê] Você conhece os concursos de cachaça? Acompanhar ou sabe dos resultados de alguma forma?

[Skarllety] Busco sempre ficar de olho, tem o Mondial de Bruxeles, o Ranking da Cúpula, o da Expocachaça.  

 

[Cachaciê] Além da cachaça quais outras bebidas alcoólicas você consome?

[Skarllety] Gosto muito de cerveja artesanal, vinho, bebida alcoólica mista, a única que não me agrada e tento não consumir é a tequila.

[Cachaciê] Qual a sua relação com a cerveja artesanal, já que teve envolvimento em um projeto de cerveja recentemente?

[Skarllety] Por sempre estar envolvida na area de tecnologia de bebidas na univesidade, tive a honra de receber o convite do professor Francielo Vendrusculo, para participar do CERVEJAMOS. De inicio, não tinha ideia nenhuma de como seria esse universo cervejeiro, mas fui pegando amor de pouco a pouco.

Sempre me perguntam se gosto mais de cerveja ou de cachaça, e é dificil responder já que os dois são objetos de estudo e trabalho arduo.

Na verdade, não só a parte de bebidas alcoolicas me atrai, mais sim toda a area, desde a tecnologia de industrialização de água, de café, de suco, refrigerante e afins, e trabalhar com cerveja em um projeto da universidade me deixa completamente entusiasmada, ainda mais quando se tem uma liberdade imensa de pesquisar as duas, a gente ama.

 

[Cachaciê] Você gosta de degustar cachaça e cerveja simultaneamente?

[Skarllety] Sim, intercalando com água, para o consumo consciente.

 

[Cachaciê] Em sua opinião qual o maior desafio para quem quer atingir o público entre 18 e 25 anos?

 

[Skarllety] O maior desafio é convencer o produtor de que a cachaça pode ser sim consumida por um público jovem. Uma campanha mais voltada para essa idade, uma cachaça dedicada para esses consumidores, podem fazer a diferença para o consumo futuro de cachaça no Brasil.

O que venho observando, é que de uns tempos para cá, o consumo por essa faixa etária, de cachaça informal, “pinga colorida” e “cachaça com sabor” vêm aumentando cada dia mais, e consequentemente o entendimento erroneo do termo cachaça.