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Acordo bilateral vai valorizar a Cachaça

Por Cachaciê   •  8 novembro de 2018   •  Compartilhar

 

Uma das novidades do recente acordo comercial firmado entre Brasil e Chile, que traz novas diretrizes para a comercialização entre os dois países, que não existem com os demais integrantes do bloco do Mercosul, é a possibilidade do reconhecimento mútuo entre a cachaça (brasileira) e o pisco (chileno) como indicações geográficas e bebidas distintivas de cada um desses países.

 

O Chile é o segundo principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul. Em 2017, o intercâmbio comercial bilateral alcançou US$ 8,5 bilhões, incremento de 22% em relação ao ano anterior. O acordo Brasil – Chile que, segundo o Itamaraty, é o pacto comercial mais abrangente já firmado, engloba ainda compromissos em comércio eletrônico, práticas regulatórias, transparência em anticorrupção, cadeias regionais e globais de valor, gênero, meio ambiente e assuntos trabalhistas.

 

Chile – mercados prioritário

 

Para Carlos Lima, diretor Executivo do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), a iniciativa é de extrema importância para o fortalecimento desses dois símbolos nacionais, além de contribuir para aumentar os fluxos de comércio e investimentos entre os países. No âmbito da exportação de bebidas, ele esclarece que o Chile é um dos oito mercados prioritários da nova proposta de Projeto Setorial de Promoção às Exportações da Cachaça. Portanto, uma vez concluído o reconhecimento, as ações de promoção terão um papel importante para o aumento das exportações do destilado brasileiro para o Chile que, em 2017, somaram US$ 209.322,00 (124.169 litros). O montante representa cerca de 2% do volume total de cachaça exportada em 2017.

 

“A ampliação das ações de promoção da cachaça, a exemplo do que outros países desenvolvem com os seus destilados típicos e tradicionais, contribuirá para a geração de receita e ainda mais empregos para o Brasil, além dos mais de 600.000 empregos diretos e indiretos que a categoria já proporciona. Além disso, resultará na inserção de mais empresas nacionais, em especial micro e pequenas, no mercado externo, gerando assim, mais receitas para as mesmas e para o País”, ressalta Lima.

 
Para ter validade, o compromisso com o Chile ainda precisa ser assinado pelos dois governos e, depois, ratificado pelos parlamentos dos dois países. Michel Arslanian Neto, diretor do Departamento de Integração Econômica Regional do Ministério das Relações Exteriores (MRE), explica: “Para comercializar no Chile, vai ter de ser um produtor brasileiro. Não pode ser um chileno que vende o produto cachaça e a mesma coisa vale para o pisco.”

 

Acordos Bilaterais

 

 

A concretização de mais acordos bilaterais de proteção internacional e a ampliação das exportações do destilado genuinamente “verde e amarelo” é uma das iniciativas pleiteadas no Manifesto da Cachaça, lançado no último dia 20 de setembro, em São Paulo, pelo Ibrac.

 

Potencial de crescimento do consumo no Chile é amplo

 

O Chile não é o maior consumidor da cachaça brasileira, mas tem um potencial muito grande de crescimento nos próximos anos. A cachaça, hoje, é um produto apreciado no mundo inteiro e o Chile importou mais de US$ 16 milhões em bebidas destiladas derivadas de cana. O Brasil respondeu por apenas US$ 200 mil, fazendo com que haja um potencial muito grande de crescimento. Paraná e São Paulo são os maiores exportadores para o mercado chileno.

 

“Há um compromisso de alguns países da América Latina com relação à cachaça brasileira e as bebidas por eles produzidas. No caso do Chile o acordo está em negociação com relação aos vinhos chilenos”, afirmou Carlos Lima.

 

O Ibrac tem trabalhado muito forte nas negociações de reconhecimento da cachaça brasileira no mercado internacional, a fim de que o Brasil tenha uma posição mais competitiva no reconhecimento e valorização da nossa bebida destilada; discutindo sempre com o Governo Federal o apoio nessas ações, a fim de que os acordos bilaterais sejam fechados com maior facilidade.

 

Em 2017 foram exportados US$ 15,80 milhões de cachaça brasileira, o que equivale a 8,74 milhões de litros, considerado pouco pelo Ibrac, levando em consideração os números do México e do Reino Unido. “Há muito investimento das empresas na divulgação da cachaça no exterior, mas é necessária uma ação forte do Governo Federal, no sentido de trabalhar a promoção da cachaça como um produto genuinamente brasileiro e de valor. É preciso reconhecer a cachaça como símbolo nacional e que pode ser utilizada nos mais variados tipos de drinks pelo mundo afora”, disse o diretor do Ibrac.

 

A cachaça brasileira, hoje, não perde em nível de qualidade para nenhum outro destilado do mundo, pois passou a ser conhecida como um destilado nobre, representando 72% do mercado. “Ela é uma das mais versáteis do mundo, pois pode ser bebida pura, gelada, com gelo, em coquetéis e drinks, sem falar que quando falamos em destilados, geralmente essas bebidas são acondicionadas em barris de carvalho e a cachaça pode ser armazenadas em barris de mais de 30 tipos madeiras diferentes, que transferem características sensoriais completamente distintas para a bebida”, completou Carlos Lima.

 

Fonte: www.oestadoce.com.br – Publicado 05/11/18.