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Qual a melhor cana para fazer cachaça?

Por Cachaciê   •  1 junho de 2016   •  Compartilhar

A cana do açúcar, do etanol, da garapa e da bendita cachaça, chegou ao Brasil no século XVI, trazida pelos portugueses. Desde então, vem gerando alegria, energia e riqueza para o País. Grande parte de toda a cana-de-açúcar produzida por aqui tem destino certo: produção de açúcar e etanol.Mas, se algo se assemelha entre os grandes, médios e pequenos produtores – caso dos produtores de cana para cachaça – é a necessidade de adoção de tecnologias para produzir mais, gastar menos e preservar o ambiente.

Dependendo do produto que se deseja extrair da cana, o agricultor tenta escolher as melhores variedades. No caso da produção de açúcar e etanol, por exemplo, se busca variedades com alto teor de sacarose e o chamado TCH (tonelada de cana por hectare). Para a produção de garapa: alto teor de açúcar, claridade do caldo e poucas fibras. Para a produção de cana forrageira, usada na alimentação animal, a digestibilidade. No etanol de segunda geração (2G), as pesquisas buscam desenvolver variedades com alto teor de fibras.

Mas e para a cachaça? Qual a influência das variedades na produção do mé?

O pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), André Alcarde, é categórico: ainda não existe nenhuma pesquisa científica no mundo que comprove a influência das diferentes variedades de cana na produção de cachaça. “Para produzir cachaça, o produtor precisa cultivar uma cana sadia, recém-cortada e com o máximo de teor possível de sacarose no colmo. A escolha da variedade não é tão significativa para a produção de cachaça, especialmente no caso da cachaça envelhecida, na qual 60% do aroma e sabor da bebida vem do processo de envelhecimento”, afirma.

A Esalq desenvolve, desde 2013, pesquisa para tentar mostrar a influência da escolha da variedade de cana para a qualidade final da cachaça. O estudo ainda não foi concluído, mas a hipótese dos pesquisadores é que esta influência exista, mas que o processo industrial é mais significativo para a qualidade da bebida. O estudo será retomado pelos pesquisadores este ano, para a consolidação dos resultados.

“Esta pesquisa é difícil de ser feita, pois é necessário padronizar o processo inteiro para inserir as diferentes variedades de cana na composição química da cachaça. Conseguimos ver isso dentro do laboratório, mas ainda não na produção industrial. Pode ser que cheguemos a um resultado daqui alguns anos”, afirma Alcarde.

Embora não haja uma conclusão sobre a variedade ideal de cana para a produção de cachaça, as variedades mais usadas pelos produtores de cana, atualmente, são RB86-7515, SP81-3250, RB96-6928, RB85-5453, RB92-579, RB85-5156, SP83-2847 e CTC-15.

Adoção de novas variedades é importante para a produção

Para alcançar maiores produtividades da cana, o produtor deve estar atento ao que os programas de melhoramento genético estão desenvolvendo. As pesquisas científicas buscam disponibilizar aos produtores materiais mais produtivos, resistentes a pragas e doenças e adaptados as diferentes regiões do País.

Em uma mesma propriedade, podem haver ambientes de produção distintos e a escolha da variedade para cada um desses ambientes é fundamental para o sucesso da produção. Tecnologia de manejo desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, chamada “matriz de ambientes”, por exemplo, mostra que se o produtor usar variedades adequadas para cada ambiente da sua propriedade, a produtividade da cana pode aumentar em até 40%.

 

Fonte: Blog do Quintal