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Transferência de tecnologias para o setor da cachaça

Por Cachaciê   •  25 maio de 2018   •  Compartilhar

 

Sistema FIEMG, o Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (SINDBEBIDAS) e o Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Minas Gerais (SILEMG) assinaram contrato para transferência de tecnologias da  Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para a indústria.  O termo institucional foi assinado no dia 18 de maio e divulgado na última segunda – “Dia da Cachaça Mineira”. O acordo vai possibilitar a inserção de novos produtos e soluções inovadoras no mercado.

O trabalho acadêmico de mestrado do analista de projetos da FIEMG, Alan Senra Cheib, desenvolvido na UFMG, “Da Grama a Tonelada – Uma proposta de arranjo institucional para fomentar a transferência tecnológica no estado de Minas Gerais, Brasil”, que foi apresentado, vem testando na prática o conceito de integração entre academia e indústria.

Benefícios para o setor da cachaça

Para o setor da cachaça o primeiro passo do convênio com a UFMG é de fazer uma ampla pesquisa no Brasil inteiro a cerca de quais ações já estão sendo desenvolvidas para o setor da cachaça.

A ideia é possíbilitar a identificação de ações que sejam de intersse do produtor de cachaça mineira, e não haver dispersão de recursos financeiros e intelectuais, evitando ações sobrepostas.

Segundo Cristiano Lamego, Superintedente do SindBebidas e Presidente Executivo do IBRAC, neste exato momento a equipe da UFMG está realizando esta pesquisa não só internamente, mas em outras universidades.

A partir do mapeamento das ações já em andamento, será possível eleger aquelas de interesse do setor da cachaça para serem apoiadas.

“Se nenhum projeto de interesse for identificado, o convênio prevê a contratação de uma consultoria para induzir ações para o setor da cachaça.”Então nós vamos identificar quais são as necessidades, quais são as demandas do nosso setor e vamos eleger projetos que tragam evolução tecnológica para a cachaça”, diz Cristiano Lamego”.

Três tecnologias inovadoras já são frutos do trabalho conjunto. Entre elas está um processo de alta fermentação para isolar uma levedura, exclusivamente mineira, para produção de cerveja artesanal. E outro segue a mesma linha, mas com foco na cachaça.

Segundo o vice-presidente do SINDBEBIDAS, Marco Falcone, a maioria dos produtores de Minas compram leveduras importadas. “As cervejas têm como agente principal as leveduras. São elas que comem o açúcar e fazem o álcool e o gás. Hoje, praticamente toda levedura vem de fora do país. Com o projeto, será desenvolvida uma levedura com o DNA brasileiro. Teremos um produto que jamais tivemos. É um salto inovador, que fará um papel bonito para o Brasil inteiro”, destaca.

Na área de laticínios, duas bebidas funcionais têm chance de chegar ao mercado: um iogurte antioxidante de cogumelo de sol, fungo Agaricuz Blazei, que sequestra radicais livres e tem funções antitumorais e um achocolatado suplementado, sem lactose, com baixo teor de gordura, que auxilia na recuperação pós-treino ou atividade física de alta intensidade. “O produto pode beneficiar atletas, trabalhadores ou qualquer pessoa que tenha gastos calóricos intensos”, diz Alan Senra Cheib.

A parceria é desenvolvida no âmbito do Programa de Competitividade Industrial Regional (PCIR) da FIEMG, que trata de inovação e modernização em mais de 20 setores dinamizadores da economia em todas as regiões do Estado. O título do estudo “Da grama à tonelada” remete à necessidade de escalonar os resultados de pesquisas, fazendo com que não fiquem apenas em artigos científicos.

O projeto será apresentado na Conferência Mundial de Interação Universidade Indústria, em Londres, no dia 21/06. Ele foi aceito pela University Industry Interaction Conference, na categoria: “Next Practice Concept” e irá compor a mesa de discussões com o título “Driving Research Commercialisation And Academic Entrepreneurship”.