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A Verdade Nua e Crua

Por Cachaciê   •  24 abril de 2019   •  Compartilhar

Por Carlos Eduardo Oliveira
O evento “Degustação de Cachaças”, no Sábado de Aleluia, já é uma tradição do Urias Fogos e Cachaças, desde os tempos do Armazém Urias.
A festa foi muito boa e espero que mais produtores venham participar nos próximos anos.
Produzir cachaça é uma arte, mas vender cachaça é uma missão bem mais difícil. E olhe que quase todos os alambiques mineiros estão operando abaixo da capacidade de produção.
Duas observações eu tiro do evento do último sábado: primeiramente é o valor de comerciantes obstinados, dedicados à cachaça de alambique, como o Max e sua esposa Juliana. Investem, convidam, promovem e divulgam para vender aquilo que produzimos.
Nós, produtores, temos que fortalecer as alianças com os comerciantes e juntos chegarmos até o clientes, para convencê-los a tomar cachaça – tarefa difícil em Minas Gerais e no Brasil.
Já iniciei minha segunda observação, o consumo de cachaça em Minas. O último sábado foi um exemplo disso. Se quisermos vender cachaça de qualidade para esta geração de mineiros, o caminho é coquetelaria para as mulheres.
O mineiro do meu tempo bebe mesmo é cerveja. E pode tentar explicar como se faz, que cana se planta, falar da levedura, etc., etc., etc., no fim ele quer uma Heineken ou uma Skol.
Parece pessimismo, mas é só realismo. No balcão dos coquetéis, onde se esvaziam as garrafas de cachaça, o entusiasmo é feminino! Sim, são elas que poderão nos ajudar a tocar as moendas e alambiques. O coração delas a cachaça já tem, basta agora conquistar cada vez mais o bolso. Quem sabe, no futuro os filhos delas vão beber mais cachaça nas baladas, como fazem os jovens na Paraíba.
O meu brinde às mineras, é nelas que deposito a minha fé no renascimento do mercado da cachaça de qualidade.
Saúde!!