A imprensa mineira amanheceu sob o peso de uma notícia devastadora. Alice Maria Ribeiro dos Santos Dadalt, repórter da Band Minas, morreu na noite de quinta-feira, 16 de abril de 2026, após um grave acidente automobilístico. A jornalista de 35 anos lutou pela vida por cerca de 25 horas, mas a irreversibilidade das lesões cerebrais levou à confirmação de sua morte encefálica em Belo Horizonte.

Tudo aconteceu na tarde de quarta-feira, 15 de abril. Alice estava em um carro de reportagem da emissora, retornando de uma pauta, quando o veículo colidiu frontalmente com um caminhão no quilômetro 437 da rodovia BR-381, no trecho de Sabará. O impacto foi brutal. No mesmo veículo, o cinegrafista Rodrigo Lapa, de 49 anos, não resistiu e morreu no local, deixando a comunidade do jornalismo em estado de choque.

Aqui está o ponto mais dramático do resgate: Alice enfrentou complicações severas ainda na estrada, incluindo paradas cardiorrespiratórias. Foi necessário um esforço hercúleo da equipe de socorro para reativá-la antes que pudesse ser transportada por helicóptero para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. Mesmo sob cuidados intensivos e em coma, a gravidade do trauma craniano era evidente.

O protocolo de morte encefálica e a despedida

A esperança da família e dos colegas foi mantida até a manhã de quinta-feira, quando a equipe médica iniciou o protocolo de morte encefálica. Esse processo, rigoroso e demorado, consiste em uma série de exames clínicos e neurologicos para confirmar que não há mais atividade cerebral. À noite, o hospital confirmou o diagnóstico.

Em nota oficial, o Hospital João XXIII foi direto: "confirmou, na noite desta quinta-feira (16), a morte encefálica da repórter Alice Ribeiro, condição em que há a perda irreversível das funções cerebrais". Para quem não está familiarizado, a morte encefálica é a definição legal e médica de óbito, mesmo que o coração ainda possa bater com a ajuda de aparelhos.

A Band Minas não escondeu a dor. Em comunicado, a emissora descreveu a partida de Alice como "um vazio irreparável em nossa redação". Mais do que uma profissional competente, ela era vista como um raio de sol nos corredores, alguém cuja alegria transbordava para a tela e contagiava a equipe.

Uma trajetória de excelência e paixão pelo jornalismo

Alice não era apenas mais uma repórter; ela carregava consigo uma bagagem sólida e uma vontade genuína de informar. Ela chegou à equipe de Minas Gerais em agosto de 2024, vinda de uma transferência da Band Brasília. Antes disso, Alice já tinha lapidado seu talento em uma afiliada da TV Globo em Feira de Santana, na Bahia. (Curioso notar como ela transitou por diferentes regiões do Brasil, sempre mantendo a essência da profissão).

Quem trabalhou com ela descreve uma mulher apaixonada pelo que fazia. Sua ética e entrega às pautas eram marcas registradas. Infelizmente, essa mesma dedicação a colocou na BR-381 naquele fatídico dia de quarta-feira. O acidente não tirou apenas profissionais da ativa; destruiu planos de uma família inteira.

A tragédia deixa um rastro de tristeza profunda: Alice deixa pais, um irmão, o marido e, o detalhe mais doloroso de todos, um filho de apenas nove meses. A ideia de uma criança crescendo sem a presença física da mãe é o que mais sensibilizou os colegas de redação e o público mineiro.

Um último gesto: a solidariedade na partida

Mesmo diante de tanta dor, a família de Alice decidiu transformar a tragédia em esperança para outros. Houve a autorização para a doação de órgãos. Foi um ato de altruísmo que ecoou nos corredores do hospital e na comunicação da emissora.

Foram doados os rins, o fígado, o pâncreas e as córneas. Infelizmente, o coração não pôde ser aproveitado devido a complicações clínicas resultantes do acidente. No entanto, a Band Minas destacou que esse gesto reafirma os valores de solidariedade que Alice sempre defendeu em suas reportagens e na vida pessoal.

O Grupo de Comunicação Bandeirantes manifestou estar "consternado" com a perda dupla. Perder dois profissionais em um único evento é um golpe duro para qualquer organização de mídia, especialmente quando envolve pessoas tão queridas e jovens.

O perigo da BR-381 e o impacto na categoria

O perigo da BR-381 e o impacto na categoria

O acidente aconteceu em um dos trechos mais perigosos de Minas Gerais. A BR-381 é conhecida por motoristas e autoridades como a "rodovia da morte", devido ao alto índice de colisões frontais e condições precárias de pista em diversos pontos. O fato de profissionais de imprensa estarem em um veículo oficial da empresa no momento da colisão levanta discussões sobre a segurança no deslocamento de equipes de campo.

Para a comunidade de jornalistas, a morte de Alice e Rodrigo serve como um lembrete brutal da vulnerabilidade de quem está na rua, correndo contra o tempo para entregar a notícia. A perda de Alice, em particular, deixa um buraco na cobertura jornalística regional, onde sua voz e seu olhar atento faziam a diferença.

Perguntas Frequentes

O que causou a morte de Alice Ribeiro?

Alice Ribeiro faleceu devido a lesões cerebrais irreversíveis causadas por uma colisão frontal entre o veículo de reportagem da Band Minas e um caminhão. Embora tenha sido reativada após paradas respiratórias no resgate, ela entrou em coma e teve a morte encefálica confirmada na quinta-feira, 16 de abril de 2026.

Quem mais estava envolvido no acidente?

Além de Alice, o cinegrafista Rodrigo Lapa, de 49 anos, também estava no veículo. Infelizmente, Rodrigo morreu no momento da colisão, no quilômetro 437 da BR-381, em Sabará, não havendo tempo para tentativas de socorro hospitalar.

Quais órgãos foram doados pela jornalista?

Com a autorização da família, foram doados os rins, o fígado, o pâncreas e as córneas. O coração não pôde ser doado devido a complicações clínicas resultantes do impacto do acidente, mas a família e a Band Minas ressaltaram o ato de solidariedade da decisão.

Qual era a trajetória profissional de Alice Ribeiro?

Alice tinha uma carreira sólida, tendo trabalhado em uma afiliada da TV Globo em Feira de Santana (BA) e posteriormente na Band Brasília. Ela se integrou à equipe da Band Minas em agosto de 2024, onde atuava como repórter e era amplamente admirada por seus colegas.